A poesia testemunha
o rio sob a porta:
deixa nas margens
a sujeira do presente
útil revoada do pássaro
em busca de sobrevida
no entretanto o político falseia
a voz e a promessa não se concretiza
em atos de bem comum
o discurso poético predispõe
o mito como verdade: a realidade
na plataforma impede
a saída da composição
a afirmação derruba a rima:
atrás se esconde o ladrão
assustado com a responsabilidade
de ser poeta e usar o receptáculo
para alterar o dom
e o esforço em se fazer melhor.
(Pedro Du Bois, em DAS DISTÂNCIAS PERMANENTES)